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Nudus


Corpos em cópulas formam intermináveis degraus bifurcados — uma escadaria de peles que conduz meus pés descalços enquanto minhas mãos deslizam nos mainés entalhados pelos gemidos.

Gárgulas observam-me. O temor.

Arcadas de jade e madre-pérola tomam-me os olhos.

A escolha.

Passagens para o breu.

Na escuridão, mais corpos sob minhas plantas. Mulheres, homens, contorcendo-se, alinhavando os acmes, tocando as línguas — os dentes. Tocando-me. Golfadas ardentes tomam o espaço.

Memória.

Gárgulas. O desejo.

Procuro paredes. Parênteses. Toco a umidade, as bocas, infinitas bocas em falas estranhas, agudas, cortam os ares — rendas são rasgadas. Reveladas.

Minha nudez.

Gárgulas cercam-me. O vício.

Deito-me com eles, com elas, amo — os abomino. Tomo-lhes os gozos adocicados, dou-lhes o meu cítrico que escorre por seus lábios, pelos membros nunca saciados. Escravizo seus sangues, espermas, sulcos — escravizo-me. Devoro-lhes os corpos, as curvas e peles que sucumbem minhas eras. Bebo das vozes insanas sorvendo-me a vida. Dando-me o sopro. Submeto-os aos meus desejos sepulcros — submeto-me às mordaças alforriadas, dolentes e gentis.

Servis.

A revelação.

Mãos perenes prendem-me pulsos e pernas. O peso das criaturas de pedra sobre meu corpo, roçando, dilacerando minhas verdades. Incredulidades. Estocadas invadem meu ventre, provocam a dança eterna de minhas ancas que se perdem ao lamento de grunhidos agudos e quentes sobre meu colo. Presas arrancam leite e sangue dos meus seios fartos de uma única verdade. Arrancam confissões etéreas, gemidos de mácula, lágrimas de escárnio. Gozos infindos, beatos, meu olhar hiato. Revelam as muitas bocas, vozes deles e delas, corpos, rocha nua — meus gárgulas.



Escrito por Ana Ulanin.

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Carta


Diga-me tuas orações, Castelã de mil dias.

Diga-me como vives dentro de teu carvalho dourado, para que eu veja as fendas e sombras de tua retina, as trilhas e os veios, para encontrar seivas tranqüilas que possam escorrer-me pelos pés. Talvez assim consiga ouvir o bater de tuas lanças nos becos e lamentos atravessando mares densos e secos.

Conta-me como é tua Casa de rochas púrpuras e como os girassóis enxugaram teus dias. Fala-me do frio que aquece tuas sinas e vindas. Dos seres banhando-se em claras luzes, o conhecer de suas cópulas quando lhe tomou a sinfonia de lágrimas.

Anseio saber dos muros e castelos que emanam azeites púberes quando repousaste a face rendada.

Tomou-me o caminho de pérolas carmins. Conta-me como foi. Não consigo lembrar...

Nesse momento desejo apenas adormecer em teu colo enquanto narras meus laivos séculos. Peço-te. Deixa-me fazer isso. Chorar em tua boca meus cristais de mármore em pequenas sinfonias. Permita-me descansar em teu gozo.

Antes que meu sopro envelheça os delíquios.

Antes que nossas memórias percam-se em horas corrompidas.



Escrito por Ana Ulanin.

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